Fim da teologia homofóbica

Como algumas pessoas não entenderam, vamos completar a matéria, pra não haver mais dúvidas, é muito  fácil  interpretar a bíblia apenas defendendo nossos preconceitos , vamos ver o que realmente aconteceu na cidade de Sodoma, e deixo algumas fotos para que cada um reflita o que esta doutrina gerou na nossa sociedade.

Segundo conta o livro de Genesis Ló mudou-se para Sodoma, uma cidade que na época era considerada como bem-sofisticada e moderna,entretanto, a cidade estava imersa em pecado e Deus resolveu destruí-la.

Dois anjos foram enviados até lá para ver como estava a situação da cidade, Quando Ló o viu na praça ele os acolheu em sua casa e lhes deu comida.

Naquela noite, quando souberam que Ló acolhera dois estranhos em sua casa, o povo se aglomerou à sua porta, eles queriam que Ló lhes entregasse os dois estranhos para que eles pudessem “conhecê-los”. (Aqui conhecer significa Abusar sexualmente deles)

Ló implorou a eles que não fizessem aquilo e até ofereceu-lhes suas filhas virgens no lugar dos anjos, mas os homens permaneciam irredutíveis.

O que aconteceu foi que os anjos cegaram a todos eles e avisaram a Ló que Deus destruiria Sodoma e que Ló e sua família deveriam deixar a cidade imediatamente. No outro dia, caiu fogo do céu e consumiu a cidade e seus habitantes.


Aparentemente, essa história nos mostra que Deus destruiu Sodoma e Gomorra porque o povo de lá era homossexual, será ?

Um estudo mais honesto revela o quanto esta passagem foi mal interpretada até os dias de hoje, Até hoje Sodoma, passou a ser simbolo do ódio de Deus contra os homossexuais.
Segundo a Bíblia nos narra em Ezequiel 16.49, 50, ela era uma cidade próspera e um tanto xenofóbica (contra estrangeiros) nacionalistas demais.

Em Gênesis 19.9, quando Ló os repreende, eles até reconsideram a cidadania dele e joga em seu rosto que ele era estrangeiro e queria ser juiz deles.
O fato de dois estranhos entrarem na casa de outro estranho (estrangeiro) era o cúmulo para os habitantes de Sodoma.
Será que eles eram algum tipo de espiões? Será que estavam tramando alguma coisa contra a cidade? Não é de admirar que eles fossem até a porta de Ló e quisessem que ele lhes entregasse os dois estranhos.

A lei da hospitalidade, até hoje em vigor no Oriente Médio, exigia que os homens estivessem a salvo enquanto estivessem sob o teto de Ló (Gênesis 19.8).

Porém, Ló era também estrangeiro (Gênesis 19.9). Como aplicar esta lei em circunstâncias tão arriscadas para a cidade? A Bíblia relata que eles tentaram até arrombar a porta de Ló. Eles queriam os dois estranhos para os “conhecer”.  O verbo “conhecer” na Bíblia é muito usado para se referir ao fato de manter relações sexuais, mas seria um estupro, queriam violenta-los.

Eram todos gays os habitantes de Sodoma? Evidente que não, segundo Gênesis 19, que narra toda esta história, a multidão que se formara à porta de Ló era composta por homens e crianças (desde o moço até o velho), “todo o povo de todos os bairros”

Se a cidade inteira consistisse de homossexuais, não haveria crianças, visto que só se pode ter filho mediante a relação sexual entre homem e mulher.
Além disso, como Ló estava morando ali há algum tempo, ele já teria sabido disso e não teria oferecido suas filhas aos homens para proteger seus convidados.

As cidades foram destruídas por outro motivo: os pecados impregnados dentro delas, os quais eram: Soberba e prática de abominações, omissão e indiferença aos pobres mesmo sendo rica e tendo condições de ajudar:
 
“Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado. Foram arrogantes e fizeram abominações diante de mim; pelo que. em vendo isto, as removi dali.” Ezequiel 16.49, 50

De acordo com a história e a arqueologia, era comum, na guerra, os soldados vencedores humilharem os soldados perdedores com o abuso sexual (estupro). (The Construction of Homosexuality. (por David F. Greenberg, páginas 130 e 147)

 Esse era o cúmulo da humilhação que confirmava a sua derrota. A motivação para isto não era o desejo sexual e sim a brutalidade e o ódio que eles tinham pelo inimigo. Essa atitude é deplorável e não denota nenhum relacionamento homoafetivo, ou seja, amor entre pessoas do mesmo sexo.
O que o povo de Sodoma queria fazer aos dois estranhos na casa de Ló está longe de ser sexo por desejo e libido, não há este tipo de sentimento envolvido.

Com certeza, tinha mais haver com ódio e brutalidade. Humilhar, talvez, aqueles dois estranhos como forma de proteção à cidade.
O que os fundamentalistas enxergam na história de Sodoma e Gomorra não é nada além do que eles querem ver, inspirados por suas idéias preconcebidas e pelo preconceito intenso que cultivaram ao longo dos anos.

Anúncios

Sou pastor e sou gay

Teólogo diz que há assédio nas igrejas e que parte do preconceito contra homossexuais se deve a traduções erradas da Bíblia
Nascido no Chile, tem 31 anos e vive em São Paulo há 27. Assumiu a homossexualidade há sete anos

entrevista1

Formado em teologia no Instituto Betel, com pós-graduação em ciência e religião. Ordenado na Assembléia de Deus, saiu para fundar a própria igreja, a Acalanto
A Igreja Metodista está entre as mais tradicionais denominações protestantes.

A Assembléia de Deus é famosa como uma das mais rígidas – muitos pastores ainda recomendam aos fiéis que não assistam à televisão e às mulheres que não usem calças para não ressaltar os quadris.

 O chileno Victor Ricardo Soto Orellana, de 31 anos, foi criado numa família metodista em São Paulo e ordenado pastor na Assembléia de Deus. Formado em teologia e pós-graduado em ciência e religião, já deu aula em três seminários. O que o diferencia da grande maioria dos religiosos é que ele é gay, e admite isso publicamente. Ainda, contesta as interpretações mais difundidas sobre o texto bíblico, que, em tese, condenam o homossexualismo. Polêmico, ele afastou-se recentemente da Assembléia para fundar sua própria igreja evangélica, a Acalanto. Depois de um culto, Orellana concedeu a ÉPOCA a seguinte entrevista

ÉPOCA – Por que falar publicamente sobre sua homossexualidade na condição de pastor evangélico?

Pastor Victor Orellana – Porque é um assunto velado dentro das igrejas e, por causa disso, ignorância e preconceitos são perpetuados. É necessário que o assunto seja debatido em toda a sociedade. O homossexual não é alguém que mora longe ou está do outro lado da rua. Ele pode ser um amigo nosso, um irmão ou um filho. Quanto mais conhecimento existir sobre o tema, menos sofrimento haverá para todas as partes envolvidas.

ÉPOCA – A homossexualidade e a Bíblia não são incompatíveis?

Orellana – De maneira alguma. Os homossexuais têm dificuldade de se ver aceitos por Deus porque as pessoas dentro das igrejas são preconceituosas. Mesmo os homossexuais religiosos têm preconceito. Muitos jovens entram em conflito porque pensam em exercer a espiritualidade cristã e as igrejas os impedem. São espezinhados, excluídos ou humilhados. Penso que a igreja não pode ser parcial nisso. Não pode escolher alguns e deixar outros de fora de seu rebanho. Ela é a representante de Deus na Terra e deve acolher a todos. Cristo jamais lançou fora ninguém, ele tem amor incondicional. Eu pessoalmente já passei por preconceitos quando fui ordenado pastor. Disseram-me que eu estava errado, em pecado.

ÉPOCA – Chegou a acreditar nisso?

Orellana – Nasci numa família evangélica. À medida que ia crescendo, maior era meu encontro com a fé. Entrei na Assembléia de Deus e no seminário para seguir o que senti ser um chamado de Cristo.

Ao mesmo tempo, fui tomando consciência de minha homossexualidade. Desde criança tinha sentimentos por homens, mas os reprimia. Isso mudou quando estava na Assembléia e um dirigente de minha congregação, um homem mais velho, me assediou. Pensei: ‘Porque eu me culpo a ponto de me anular, enquanto dentro da igreja há esse tipo de hipocrisia?’ Decidi aceitar minha orientação homossexual.

ÉPOCA – Contou à família?

Orellana – Minha família sabe há sete anos. O rosto fechado veio da minha mãe. Toda mãe espera muito dos filhos. E se você se nega a cumprir as metas que ela planejou é como se destruísse seus sonhos. Mas sou existencialista, creio que cada um tem a própria vida para viver. Meus irmãos me compreenderam melhor.

veja a matéria completa aqui